sábado, 27 de outubro de 2012

Último debate com Obama e Romney tem política externa como tema


Americanos vâo às urnas em 6 de novembro


Último debate com Obama e Romney tem política externa como tema

Nesta segunda-feira (22), os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama e ex-governador de Massachussets Mitt Romney, vão se enfrentar no último debate antes das eleições, previstas para o dia 6 de novembro. O tema deste encontro será a política externa americana.
A seguir, um resumo das posições de cada candidato, com base em discursos feitos por ambos recentemente.
Irã
Questões principais: programa nuclear do Irã, a ameaça do desenvolvimento de uma arma atômica, a possibilidade de guerra e as especulações sobre um ataque unilateral por parte de Israel.
O que Obama disse: "Países e presidentes fortes dialogam com seus adversários". Posição: O Irã não deve ser autorizado a ter uma arma nuclear. Obama não descartou todas as alternativas, mas, claramente, prefere uma solução negociada por meio da diplomacia e/ou sanções. Apesar de as tentativas iniciais de persuadir os iranianos terem falhado, as sanções internacionais parecem estar tendo o efeito desejado pela administração do governo Obama.
O que Romney disse: "...Se vocês me elegerem como próximo presidente, eles não terão uma arma nuclear". Posição: Mantém uma linha mais dura. Além de defender que o Irã não produza armas nucleares, Romney mantém a posição de que o país não tenha o direito de desenvolver qualquer programa nuclear. Ele rejeita qualquer tentativa de convencimento por meio da diplomacia, mas prefere elevar o tom por meio da aplicação de mais sanções. No entanto, o ex-governador acredita que uma ação militar possa funcionar.
Israel
Questões principais: os assentamentos israelenses em territórios ocupados, as negociações de paz com a região autônoma da Palestina e a criação de um Estado palestino.
O que Obama disse: "Nosso compromisso com a segurança de Israel não pode vacilar, nem a nossa busca pela paz". Posição: Obama afirma seu compromisso com a segurança de Israel, mas considera insustentável a atual situação com os palestinos e apoia uma solução com dois estados. Obama exigiu que o Hamas aceitasse a existência do Estado de Israel e renunciasse à violência. O presidente americano se opõe aos assentamentos israelenses em territórios ocupados, o que causou atritos com o primeiro ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. Obama insiste que a relação entre os dois países está em "boa (fase)", mas nunca esteve em Israel, durante seu mandato.
O que Romney disse: "A chave para uma negociação de paz duradoura é Israel saber que estará seguro". Posição: Romney descreve Israel como o aliado mais próximo dos EUA e critica Obama por se distanciar do país. O ex-governador é mais aberto à questão dos assentamentos judaicos e quer se concentrar em obter avanços econômicos nos territórios palestinos, em vez de só lhes proporcionar maior status político. Romney tem falado na viabilidade de uma solução de dois estados. Durante sua campanha, ele visitou Israel, mas disse "os palestinos não têm interesse algum em estabelecer a paz".
Mundo árabe/muçulmano
Questões principais: as consequências da Primavera Árabe, o conflito civil na Síria e o filme anti-Islã que desencadeou uma série de protestos violentos na região contra as representações diplomáticas americanas.
O que Obama disse: "América e Islã não são excludentes e não precisam estar em lados opostos". Posição: Desde o início de seu governo, Obama tenta uma aproximação com os países árabes e muçulmanos. O presidente americano apoiou a reforma democrática na região e criou planos de financiamento e empréstimos para investimento em infraestrutura e na criação de empregos. Ele também apoiou a coalizão da Organização do Tratado do Atlântico-Norte (Otan) na Líbia contra o regime de Muammar Kadafi e endossou duras sanções econômicas contra a Síria, pedindo que o presidente Bashar al-Assad renunciasse ao poder imediatamente. Obama defende a liberdade de expressão em relação ao filme anti-Islã e condenou a violência gerada pelos protestos contra o filme.
O que Romney disse: "A minha administração vai se esforçar em garantir que a Primavera Árabe não seja seguida por um Inverno Árabe". Posição: Romney considera a Primavera Árabe como uma boa oportunidade para a mudança, mas é cauteloso em abrir uma porta na região para os adversários dos EUA. O ex-governador concorda com a participação militar americana na Líbia, mas discorda quanto ao momento em que isso foi feito. Ele critica a falta de ação de Obama na Síria e gostaria de ver os EUA e seus aliados organizando e armando grupos de oposição sírios. Romney não é a favor de uma ação militar imediata, mas disse que os EUA têm de intervir para evitar a disseminação de armas químicas. Ele criticou a resposta de Obama aos ataques contra as representações diplomáticas americanas.
China
Questões principais: engajamento e resistência ao crescimento econômico, militar e político da China, corrigir os desequilíbrios comerciais, manter sob controle práticas monetárias e comerciais questionáveis e avançar nas questões de direitos humanos.
O que Obama disse: "Os EUA não querem conter a China...uma China forte e próspera pode ser fonte de força para a comunidade das nações". Posição: Obama é a favor de uma relação de cooperação e acredita em uma abordagem mais pragmática e conciliadora. No entanto, já criticou Pequim por, supostamente, manipular sua moeda e incorrer em práticas comerciais desleais. O presidente americano anunciou a criação de uma unidade para investigar tais violações. Obama está preocupado com a crescente influência chinesa na Ásia. Recentemente, ele foi confrontado sobre o caso do dissidente chinês que escapou da prisão domiciliar e conseguiu garantir-lhe uma passagem segura para os EUA.
O que Romney disse: "Se você não estiver disposto a se opôr à China, será atropelado por ela". Posição: Romney defende uma abordagem cada vez mais linha dura com o país asiático, incluindo um aumento da presença militar americana no Pacífico, estreitando laços com a Índia e outros aliados. Ele é a favor da defesa dos direitos humanos e quer pressionar a China a adotar políticas de livre comércio "justas", que atualmente considera abusivas. O ex-governador não apoiou a campanha de Obama na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a China. Na ocasião, ele também considerou que Obama agiu "muito pouco e muito tarde". Romney fala abertamente sobre a manipulação de moedas e da ação de piratas virtuais em computadores do governo e grandes companhias americanas. Ele considera a China uma potência econômica com quem os EUA devem negociar, no entanto, sob regras rígidas.
Rússia
Questões principais: A aproximação após a volta de Vladimir Putin à presidência, o início de um tratado sobre a redução de armas nucleares, a cooperação para manter o Irã sob constante supervisão e a renúncia do presidente Assad da Síria.
O que Obama disse: "A Rússia não é nosso inimigo número 1, a não ser que você ainda viva na Guerra Fria". Posição: Obama redefiniu as relações com a Rússia e assinou um novo tratado que limita o número de ogivas nucleares do país. Ele apoia a adesão da Rússia à OMC, que irá conduzir os dois países à normalização das relações comerciais permanentes. Os EUA chegaram a um acordo com Moscou sobre as sanções contra o Irã, mas não chegaram a um denominador comum sobre a crise na Síria. O governo americano acusou a Rússia de enviar helicópteros de ataque para o regime de Assad.
O que Romney disse: "A Rússia é, sem dúvida, nosso inimigo geopolítico número 1. Eles lutam por todas as piores causas do mundo". Posição: Romney diz que vai "redefinir" o que já foi redefinido por Obama. Em sua campanha, ele diz que seu objetivo é criar uma estratégia para desencorajar o que ele chama de comportamento "expansionista e agressivo" da Rússia e, por outro lado, incentivar uma reforma político-econômica e democrática no país. Romney diz que será franco no confronto com o governo russo sobre práticas autoritárias. O ex-governador acredita que a política de Obama é muito focada no controle de armas. Romney foi contra a adesão da Rússia à OMC e acusou Moscou de travar as sanções da ONU contra o Irã e a Síria.
América Latina
Questões principais: Embargo dos EUA contra Cuba, controle de armas, da violência e do tráfico de drogas na fronteira com o México, fortalecimento do comércio com os países da região, independentemente de blocos econômicos, relacionamento com governos populistas e o sentimento antiamericano.


OS NOMES BÍBLICOS DE ISRAEL


Saiba como surgiu o nome da mais importante nação bíblica
1. Israel

O termo Israel procede originalmente do hebraico yiśrā’ēl. O vocábulo aparece cerca de 2507 no Antigo Testamento. É formado pelo verbo śārâ, isto é, “contender”, “pelejar”, “lutar” e, pelo substantivo ēl, “deus”, “Deus”, “poderoso”, “forte”. Ipsis verbis quer dizer “Ele contende com Deus”, sendo possível a tradução “lutador de Deus” ou “quem lutou contra Deus” (Gn 32.28; 35.10). 

Todavia, em razão de o substantivo ēl no Antigo Testamento ser empregado mais como sujeito do que objeto de complemento de nomes próprios, alguns hebraístas preferem a tradução “Deus luta”, em vez da anterior. A tradução é possível, embora não seja necessária pelo contexto. Há, contudo, aqueles que relacionam o verbo śārâ, com o verbo śārar, cujo sentido literal é “dominar”, “reinar” ou “agir como príncipe”:  

“Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste” (Gn 32.28). 

Essa última posição não apenas foi admitida na tradução bíblica quanto também na história. O nome yiśrā’ēl, portanto, empregou-se inicialmente como evento profético, histórico-salvífico, que descrevia tanto a nova condição de Jacó quanto o seu destino. Israel é o homem e o povo do pacto (Êx 19.5; Is 42.8; Ez 20.5).

A partir desse novo emprego, o nome yiśrā’ēl  designa o nome  pessoal do patriarca Jacó (Gn 35.10, 21-22; 50.2; Êx 1.1). Ainda em Gênesis, o literato usa o termo dentro do contexto nômade como referência à “tribo” de Israel (Gn 34.7), mas também como designativo dos descendentes de Jacó (Gn 35.22; Êx 1.7; 2.23). Do uso patronímico anteriormente descrito é que resulta o nomeyiśrā’ēl como indicação do povo ou a nação de Israel (Gn 32.32; Êx 35.15), por meio da expressão “filhos de Israel” (Êx 11.10; 12.35; Lv 1.2), “casa de Israel” (Êx 16.31; Sl 135.19). Na época da monarquia dividida, “casa de Israel”, é uma referência ao Reino do Norte ou Israel, entre o período de 935-722 a.C. (1 Rs 12.21; Os 5.1; Am 5.1). 

2. Israelita e Israelense

O nome israelita, usado geralmente como sinonímico de judeu, procede do hebraico yiśrā’ēl, título dado ao patriarca Jacó, após a notável luta contra o ser teomórfico em Betel. O termo “israelita” (tylarsy)  aparece em sete referências bíblicas: cinco no Antigo (Lv 24.10, 11;  Nm 25.8, 14;  Jz 7.14), e duas em o Novo Testamento (Jo 1.47; Rm 11.1). 

Segundo o Dr. Winton Thomas, na obra Documentos dos Tempos do Antigo Testamento [1], a referência extrabíblica mais antiga do nome israelita, ocorre em uma inscrição egípcia de 1220 a.C., em um pilar erguido por Merneptah, rei do Egito. A inscrição afirma “Israel jaz deserto; sua descendência já não existe”. 

Israelita é um termo nobiliárquico que exprime o caráter exclusivo da ascendência de um indivíduo, procedente do patriarca Israel ou de uma das doze tribos:“porque também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim” (Rm 11.1). Também se emprega como referência à religião monoteísta do povo hebreu e dos seus  descendentes. Neste aspecto, afirma a Enciclopédia Britânica a respeito do uso da palavra:

[emprega-se] com a conotação do exclusivismo religioso de um povo que se considera escolhido para uma missão, sendo usado pelos judeus para exprimir seu orgulho de pertencer ao povo eleito. [2]

Assim sendo, afirma Paulo em Romanos 9.11, 12 que, “nem todos os que são de Israel são israelitas (lit.“Israel são Israel”); nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência”. Isto é, somente o remanescente fiel (Rm 9. 27).

Já israelense, embora procedente do mesmo patronímico, é de uso mais recente. Procede de Israel e do sufixo ense que denota “relação”, “procedência” ou “origem”. O israelense ou israeliano é aquele que pertencente ao Estado de Israel; ou simplesmente, o natural ou habitante do Estado de Israel. Com a fundação do Estado de Israel, criou-se a distinção entre israelita – do povo judeu –, e israelense, do Estado de Israel.

Maioria dos pastores votará em Mitt Romney para presidente


presidente

Billy Graham apóia publicamente a candidatura de Romney


Maioria dos pastores votará em Mitt Romney para presidente
Uma pesquisa do Instituto de Pesquisas LifeWay ouviu 1.000 pastores protestantes e concluiu que eles dão seu apoio ao candidato republicano Mitt Romney numa proporção de três para um em relação a Obama.

Cinquenta e sete por cento dos entrevistados disseram que vão votar em Romney. 17% pretendem votar no presidente Barack Obama e 22% ainda estão indecisos. Para 82%, o fato de o candidato Romney ser mórmon não influencia sua escolha.

A LifeWay Research é uma instituição ligada à Convenção Batista do Sul, que possui mais de 16 milhões de membros, em mais de 45 mil igrejas por todo o país.

Seu diretor, Scott McConnell, disse que os números mostram que a maioria está votando em alguém que compartilha os mesmos valores, independentemente de sua fé. “É claro que os pastores não estão elegendo um líder espiritual para os Estados Unidos quando votarem para presidente. O estudo mostra que uma maioria significativa preferiu as políticas e os valores defendidos por Mitt Romney”, afirmou.

Em 2010, uma pesquisa Lifeway mostrou que 75% dos pastores não consideravam os mórmons como cristãos. Outro fator importante dessa semana pode ser a declaração do evangelista Billy Graham. O republicano Mitt Romney teve um encontro com Graham na semana passada.

Com o crescimento de sua campanha nas pesquisas, Romney subiu o tom “Eu acho que é hora de termos um presidente que fala sobre como salvar a família americana e eu vou fazer isso”, disse ele recentemente.

O encontro do republicano com Billy e seu filho Franklin ocorreu na casa do evangelista, na Carolina do Norte.

“Eu vou fazer tudo que posso para te ajudar”, ouviu Romney de Graham. A resposta do candidato foi “a oração é a melhor coisa que você pode fazer por mim.” 

Recentemente Franklin liderou uma campanha para que Obama revelasse qual é sua religião após o presidente ter declarado ser favorável a questões como o aborto e casamento gay. Romney já se disse contrário a ambas as práticas.

No dia seguinte ao encontro, o site da Associação Evangelística Billy Graham retirou o termo “seita” do seu material que fala sobre o mormonismo, gerando diversas críticas.

Ken Barun, que dirige a Associação explica a decisão. “Removemos esse termo porque não queremos participar de um debate teológico sobre algo que tem se tornado uma questão política constante durante esta campanha”.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Daniel e Samuel - Escrito por Deus

Carpideiras: A mais antiga profissional do luto


Carpideiras: A mais antiga profissional do luto

Presente nos velórios do Antigo e Novo Testamentos, as carpideiras subsistem até na pós-modernidade
“Apressem-se e levantem sobre nós o seu lamento, para que os nossos olhos se desfaçam em lágrimas, e as nossas pálpebras destilem água” (Jr 9.18).

Em 2007, as maravilhosas atrizes Marieta Severo e Andréa Beltrão encenaram uma peça chamada “As Centenárias”, escrita por Newton Moreno e dirigida por Aderbal Freire-Filho. A peça descreve com humor e ironia a estória de duas carpideiras que percorrem velórios com suas lamúrias e contando causos do interior do Nordeste. Embora a peça seja uma ficção, não está longe da verdade. Vejamos o que diz a Bíblia a respeito dessas respeitáveis mulheres do pranto.

No contexto do Antigo Testamento, encontramos mulheres profissionais do pranto e do luto. Essas senhoras eram conhecidas pela alcunha de “carpideiras”, no hebraico lameqōnenōt – literalmente, aquelas que são como fontes de lágrimas. Essas profissionais eram contratadas para lamentar, chorar, e lamuriar nos velórios. Por esta razão é que a NVI traduz o termo hebraico por “pranteadoras profissionais” em Jeremias 9.17.

Esperava-se que através da simulação de angústia e dor manifestadas por estas mulheres, o participante lutuoso fosse contagiado pela tristeza e aflição, como afirma o profeta das lágrimas:

Apressem-se e levantem sobre nós o seu lamento, para que os nossos olhos se desfaçam em lágrimas, e as nossas pálpebras destilem água (Jr 9.18).

O principal objetivo era levar os partícipes ao choro e lamento, mesmo que o defunto não merecesse. Isso me fez lembrar um causo muito interessante. Certa ocasião, em minhas andanças pelo Brasil como professor de Teologia, fui convidado para o velório de um ex-prefeito que seria realizado na magna Câmara Municipal da cidade. Mesmo que se coloque uma faca em meu pescoço eu jamais direi o nome do lugar! Perguntei se o defunto fizera uma boa administração, mas, disseram que além de péssimo administrador ainda vendera a única praça da cidade sem entregar o referido valor aos cofres públicos. Não houve uma carpideira sequer para chorar a ida desse mais novo geólogo aos campos santos. O clima parecia mais de contentamento do que contrição. Perdoe-me a família do falecido!

Iconografias do século XV e XIV a.C. na cidade egípcia de Tebas, demonstram que esse ofício era conhecido não somente em Israel, mas em todo Antigo Oriente. A profissão se perpetuou passando incólume por todos os grandes impérios: Babilônia, Assíria, Grécia, Roma e também no Brasil. Afinal, qual político não necessita de uma carpideira para chorar sua desventura? No Brasil, por exemplo, elas chegaram com a colonização portuguesa. Caso você não saiba, a senhora Itha Rocha é a carpideira mais famosa do Brasil. Essa profissional do pranto, com todo respeito, procede de uma longa ascendência de pranteadoras. Já chorou até no velório de Clodovil Hernandes, no entanto, ela disse ao repórter Vagner Magalhães: “O que interessa é o gesto humano. Demonstrar laços como se fôssemos parentes, irmãos". Certo incógnito disse-me uma vez que, em um velório em SC, a carpideira contratada parecia mais a viúva do falecido. Por curiosidade, perguntei a razão pelo qual ele chegou a essa constatação metafísica e ouvi atentamente a seguinte resposta: “além de ela chorar, não parava de beijar o cadáver!”. Que dureza!!!!!

As lamuriantes contratadas vestiam-se de preto e não costumavam usar perfume. Em 2 Samuel 14.2 é citado o caso de uma mulher astuta contratada por Joabe para simular um luto perante o rei Davi, diz a Escritura:

Finge que estás profundamente triste, põe vestido de luto, não te unjas com óleo e sê como mulher que há muitos dias está de luto por algum morto.

Interessante como o escritor Newton Moreno captou com mestria a farsa lamuriante das carpideiras, assim como Joabe, ao descrever o encontro de Socorro (Marieta) com Zaninha (Beltrão). Zaninha encanta-se com a profissão de Socorro e deseja saber o segredo da arte do carpir. Prontamente, a personagem alerta: para ser uma boa carpideira é necessário, em primeiro lugar, ser mãe, para que sinta medo da perda e, depois, um forte respeito à morte. Lembremos que Jeremias afirmava que esta profissão era passada de mãe para filha.

Assim como a carpideira de Tecoa, contratada por Joabe, existiam muitas outras em Israel cujo ofício era hereditário, conforme Jeremias 9.20:

Ouvi, pois, vós, mulheres, a palavra do SENHOR, e os vossos ouvidos recebam a palavra da sua boca; ensinai o pranto a vossas filhas; e, cada uma à sua companheira, a lamentação.

As pranteadoras contratadas são chamadas de “mulheres hábeis” (’iššâ hakāmôt):

Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai e chamai carpideiras, para que venham; mandai procurar mulheres hábeis (’iššâ hakāmôt), para que venham (Jr 9.17).

O termo hakāmôt que é o plural feminino de hakāmâ (sabedoria), significa “sábia”, entretanto, à luz do contexto, não se trata de “mulheres sábias”, tal qual traduzido pela Septuaginta (LXX) e seguido pela ARC, mas de “mulheres habilidosas”. A TEB traduz por “melhores” (9.16), isto é, “melhores em sua arte”, “em sua profissão”, “hábeis na lamentação fúnebre”. Brenner, comentando sobre a expressão em apreço afirma:
 
  • Uma carpideira profissional, portanto, tinha de aprender e ser versada na poesia peculiar à sua ocupação. A “sabedoria” das mulheres carpideira consistia em sua habilidade vocacional (isso surge da estrutura poética do versículo 16 [17]: “mulheres carpideiras” na primeira coluna do verso, comparadas com hakāmôt, na segunda coluna). Portanto, o termo hakāmôt, aqui deveria ser traduzido por “mulheres habilidosas”, e não “mulheres sábias”. [1]

As celebrações fúnebres costumavam durar cerca de sete dias (Gn 50.10). Essas profissionais permaneciam durante todo o tempo em que durasse o luto, a elegia. A habilidade das carpideiras não se circunscrevia apenas a chorar, mas eram também exímias endechadoras, especialistas em compor e cantar cânticos fúnebres. Atualmente, os cânticos fúnebres entoados pelas carpideiras são chamados de incelenças. Muitas endechas (canções fúnebres) se popularizaram tornando-se parlendas infantis, pelas quais as crianças brincavam nas praças (Mt 11. 16,17):

Mas a quem compararei esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros: ‘Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes.
As habilidades das carpideiras iam além do pranto e das endechas. Essas profissionais se aperfeiçoaram tanto em sua arte que aliavam a técnica do choro e do cântico fúnebre às artes cênicas. Eram especialistas em representar, encenar situações que visavam entre outras coisas ludibriar a outrem. As qualidades cênicas de algumas dessas mulheres são facilmente perceptíveis em 2 Samuel 14.1-24.
A quem você atribuiria hoje esse papel de carpideira!?
Se a custo choram estas donzelas
Sem conhecer o morto, tão artificial,
Receberá com justos juros no funeral
Quem for prantear as mortes delas?