Não preciso definir as palavras santo, santidade e santificação, uma vez que todo crente conhece muito bem o significados desses vocábulos. Todavia, saber a definição desses termos e dar-lhes sentido no cotidiano são coisas completamente diferentes. Conhecer um conceito é muito distinto de vivê-lo! Ser santo é muito mais do que os aparatos exteriores da espiritualidade e religiosidade pública. Os fariseus, por exemplo, apresentavam-se como os homens mais santos do Novo Testamento. Eram impecáveis representantes da religiosidade pública. Faziam orações nas praças, vestiam-se com todos os aparatos sagrados do ritual e jejuavam constantemente. Eles não se santificavam para se aproximarem de Deus, mas para tirarem vantagens sociais dessa postura. Sepulcros caiados, dizia Cristo a respeito deles! Por fora, vivos, mas por dentro mortos! Louvavam a Deus com os lábios, mas o coração estava muito, muito longe de Deus.
O Sermão do Monte traduz a essência da ética, santidade e justiça do Evangelho. O que o Decálogo representa para os judeus e para o judaísmo, o Sermão do Monte representa para os crentes e o cristianismo.
Cristo sintetizou a santidade e vida cristã integral no Sermão do Monte. Ele ensina que:
1. A santidade e a justiça são atributos divinos comunicáveis aos súditos do Reino. Os cristãos devem refletir através de sua cidadania terrena a justiça, a ética e a santidade do Reino de Deus.
2. Viver em santidade, justiça e piedade é possível, mesmo em uma sociedade pós-moderna. A santidade e a justiça divinas são os atributos que devem nortear os sentimentos, a conduta e as ações humanas. A santidade não é uma opção descartável para os filhos de Deus. Muito pelo contrário. É um dever.
3. Relacionar-se com Deus é também relacionar-se corretamente com o próximo. Não se chega a Deus, negando o próximo. Ver a Deus é ser traspassado por Ele (IS 6) – evento que nos permite ter um claro conhecimento de quem somos, aonde estamos, e com quem vivemos. Se a vida moderna orienta o homem a ver o próximo como seu adversário e concorrente, a Ética do Reino ordena ao homem moderno que veja o Outro com alteridade e fraternidade. Serviço, lealdade, companheirismo, amor e perdão são os fundamentos do relacionamento entre os súditos do Reino. Cristo ensinou que para sermos santos não precisamos nos afastar dos pecadores.
4. As bem-aventuranças contestam e contrastam com os objetivos e vontades do homem moderno. As bem-aventuranças descrevem a verdadeira identidade e interesse dos filhos de Deus. O contraste com os valores hodiernos é abundante. As promessas são declaradas futuras, no entanto, no presente, alguns bem-aventurados já desfrutam das realidades do Reino. Todavia, há um preço, uma decisão e um estilo de vida nessa escolha. O crente abdica-se de si, para tornar-se súdito incondicional do Reino.
5. Os valores e finalidades do Reino são distintos dos valores e finalidades terrenais. O contraste de valores é indiscutível. A cidadania celeste exige que se viva de modo a dignificar os valores célicos. Esses valores são absolutos em um mundo relativizado. Daí, a razão pela qual o conflito é constante. Trata-se de uma ferida aberta na alma do crente moderno, mas também de uma decisão que implica em ruptura com os paradigmas que sustentam a sociedade individualista e antropocêntrica.
6. A ética do Reino é teocêntrica. A ética dos filhos do Reino não é estabelecida na lei, nos livros de moral, costumes e boa conduta da sociedade. A ética do Reino é teocêntrica. Deus é o modelo de tudo o que devemos ser, viver e desejar. “Sede perfeitos” é a afirmação categórica da ética teocêntrica. Faça o que puder é o fundamento da moralidade humana.
7. A vida vale mais do que o alimento que a mantém. Mais vale a vida do que aquilo que a mantém. Assim, a ansiedade é uma demonstração de um cuidado exagerado com as preocupações diárias. Embora muitas dessas preocupações sejam justas, Cristo ensina no Sermão do Monte que devemos confiar inteiramente em Deus. Somente Ele tem o controle absoluto da vida humana. Ele conserva tanto homens como os animais por meio do seu incomensurável amor.
Por fim, viver a santidade ensinada por Jesus no Sermão do Monte é viver a vida cristã integral, sem concessões.
É você se aproximar de Deus sem afastar-se dos homens. É você aproximar-se dos homens sem afastar-se de Deus.
Mulher esquecida e incompreendida pela modernidade, assim defino inicialmente a mulher de Jó. Este patriarca sim, paladino da fé, suportou todas as vicissitudes e flagelos dócil e humildemente. Ele é símbolo de perseverança, paciência e retidão (Jó 1.1,22), mas a mulher desse sofredor...., no mínimo, ainda é chamada de louca ou néscia (Jó 2.10).
Mulher anônima, a quem a tradição posterior chamou de Sitis, aparece em Jó 2.9,10 e não é mais mencionada no livro, embora nada sugira sua morte, ou abandono do lar.
Ela era uma mulher nobre, respeitada por todos, e considerada afortunada para os mais antigos e de sorte para as donzelas da região. Seu marido era um homem sábio, fiel à sua família, riquíssimo e temente a Deus. O homem mais poderoso do Oriente. Seus filhos, saudáveis e belos. Suas filhas eram mulheres decentes, educadas e belas. Centenas de servas e servos estavam espalhados pela bela casa, fazendas, plantações (Jó 1.3).
Sitis era uma mulher riquíssima que ajudava na administração da casa, dos servos domésticos; um elo de unidade familiar (Jó 1.2). Seus sete filhos e três filhas periodicamente reuniam-se ao redor da mesa para desfrutarem de seus conselhos, sapiência e virtudes (Jó 1.2,4). No período patriarcal o número dez era símbolo de completude, de abundância e prosperidade. Era a mulher mais poderosa, afamada e respeitada de todo o Oriente (Jó 1.3). Jó amava-a muitíssimo; suas filhas provavelmente espelhavam-se no zelo, discrição, beleza e sabedoria da mãe. O lar de Sitis era um paraíso cravado no Oriente (Jó 1.10).
Essa mulher, “ossos dos ossos” e “carne da carne” de Jó, no entanto, viveu as primeiras calamidades da vida do patriarca. Próximo a Jó ouvira que seus servos foram mortos e os seus rebanhos confiscados pelos sabeus. A notícia era ruim, mas suportável. Note a descrição do versículo 13, que destaca a efusiva alegria da reunião familiar na casa de seus filhos (“comiam e bebiam vinho na casa de seu irmão primogênito”), e a calamidade súbita que toma conta do restante da narrativa. Essa narrativa que antecede e moldura as tragédias de Jó será depois desconstruída no versículo 19.
O mensageiro ainda não terminara o anúncio fúnebre quando imediatamente outro mordomo anunciou: “Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu” (v.16). A mulher de Jó fica espantada com a sucessão de tragédias que se sucedem sucessivamente sem cessar. Perde o fôlego, aproxima-se do marido para apoiá-lo... quando então, novamente, outro desastre, dessa vez arquitetado pelos caldeus que, em três bandos, roubam os camelos e ferem os servos (v.17). Mas o pior ainda estava para acontecer. Um servo aproxima-se esbaforido, com ar de cansaço e pesar. Tem receio do que vai dizer. Durante o trajeto ensaiara diversas vezes, até soltar o verbo flamífero: “Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo, eis que um vento muito forte sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram” (Jó 1.18,19). O vento da desventura e sortilégio, gélido como a morte, implacável como a desgraça. Quem é suficiente forte para resistir suas lanças inflamadas? Como reagir diante de tanta calamidade e dor?
Sitis chora amargamente a morte de seus filhos. Se isso não bastasse, vê o seu marido rasgar suas vestes, rapar sua cabeça e cumpridas barbas, símbolos de sua posição social superior, e lançar-se em terra adorando a Deus. Apesar da dor que aflige sua alma abatida olha com carinho e respeito o gesto humilde e devoto de seu marido. Somente a fé e a comunhão com Deus dão ao aflito a esperança e a força para vencer as vicissitudes. É nessas ocasiões que a comunhão do crente com Deus faz toda a diferença. A resiliência e o ânimo para continuar a lida depois de uma grande calamidade são resultados de uma vida de fé, comunhão com Deus e relacionamentos corretos. Jó, como os pequenos ribeiros orientais em período de estio, vê a sequidão tomar conta de si, no entanto, estivera durante muito tempo da vida plantado junto a ribeiros de águas; suas folhas não murchariam e os seus frutos viriam na estação própria (Sl 1). Dizia um antigo provérbio oriental que o “justo nunca será abalado” (Pv 10.30).
Os dias de luto ainda não estavam completos. Parentes distantes e amigos próximos reuniam-se na casa de Sitis para apoiá-la e ao marido, Jó. Os melhores amigos nascem nos períodos de sequidão e angústia (17.17). Autoridades do Oriente chegavam à casa do infortúnio. Ouvia-se os murmúrios das carpideiras, que se revezavam em seus turnos. Os cancioneiros entoavam suas elegias, e os sábios do Oriente procuravam entender a tragédia humana. Sitis chorava desconsoladamente. A dor e angústia apertavam seu corpo, como se a estivessem comprimindo em um pequeno vaso de cerâmica. Olhava para Jó e se inspirava na fé, piedade e devoção de seu marido. Ele em nenhum momento blasfemou ou se queixou de sua sorte (Jó 1.22). Junto aos sábios do Oriente, ouvia-o dizer: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21). Todos ouviam, admirados, a fé e perseverança de Jó em Deus. Procuravam algum altar na casa, ou artefatos que materializassem o Deus de Jó, mas nada encontravam. Diferente dos tolos adoradores de ídolos do Oriente, Jó confiava no Deus Invisível, Espírito eterno e imutável em seu ser.
Passados os dias de luto, Sitis e Jó procuravam retomar as atividades diárias. Todavia, sentiam dificuldades de recomeçar. Reconstruir a casa que desabara sobre as crianças era uma dúvida latente. Aquele lugar trazia boas recordações. O lugar que as crianças cresceram e a velha árvore com as marcas de suas brincadeiras traziam lembranças tão vívidas como o vento outonal que derrubava as folhas das árvores e pintavam o chão de tons marrons e cinza. Nada diziam um ao outro, apenas apertavam firmemente as mãos. Todas as palavras foram expressas naquele aperto de mãos. Nunca saberemos exatamente o que disseram. Apesar da tristeza, estavam unidos, apoiando um ao outro.
Alhures, absorto com os últimos acontecimentos, Sitis percebe que pequenas chagas começam alastrar-se sobre o corpo de seu marido. Imediatamente, os melhores médicos são consultados, especialistas na arte da cura entram e saem da casa do patriarca. Sitis se mantém firme cuidando de Jó; tratando das feridas de seu amado; procurando suavizar a dor com as especiarias, óleos de vários gêneros, alguns importados. A chaga se espalha mais ainda, desde a planta do pé até ao alto da cabeça (Jó 2.7). Longe de Jó ela chora, sente as lágrimas quentes caminharem pelas linhas de sua pele até caírem e se desfazerem lentamente ao chão. “Senhor porque me provas?”, murmurava. “Não basta os meus filhos?” “Agora tu queres o meu marido Jó?”, balbuciava. Os médicos diagnosticaram que a doença era maligna, incurável. Erupções e prurido intenso destilavam do corpo de Jó (2.7,8). Os bichos insaciáveis se alimentavam do corpo putrefato (7.5), e os ossos daquele homem forte se desfaziam como torrão de madeira apodrecida (30.17). A pele de Jó perdera toda elasticidade, suavidade e beleza (30.30). Até no sono era atormentado por pesadelos (7.14). Sitis olhava para todo aquele sofrimento. O cheiro dos florais da primavera paulatinamente foi expulso por uma mistura de pus, sangue e carne putrefata. Nem ela mesma conseguia cuidar de seu marido. A praga alastrara por toda casa. Ela gastara as últimas reservas financeiras no tratamento do marido moribundo. Investira todos os seus recursos para curar a Jó, mas a sentença médica era apenas uma: “Nada podemos fazer, só um milagre”. Sitis sofria, inconsolável... A esperança escapava por entre os seus dedos como as águas ribeirinhas. Lembrava dos momentos em que ela era considerada uma mulher bem-aventurada, rica, com filhos e filhas para lhe consolar, um marido próspero que a amava. Mas agora, tudo lhe havia sido tirado, à uma. O que você faz quando a calamidade bate à sua porta e, sem pedir licença, carrega para sua família toda desventura conhecida? A quem você recorre?
Certo dia, Sitis vê o seu marido no meio da cinza com um pedaço de cerâmica raspando as feridas. Olha e um sentimento acre-doce lhe invade a alma aflita. O grande príncipe Jó no monturo da cidade, como um pária. Sitis perde definitivamente a esperança. Aproxima-se do moribundo, sente pena do marido, fecha os olhos, aperta-os e a seguir dispara: “Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2.9). Nenhum sofrimento pode ser maior do que a confiança e fidelidade a Deus. O Senhor jamais permitirá que sejamos tentados acima de nossas forças. Sitis achava que já havia chegado ao limite.
Assim como os servos de Jó foram preservados da morte para levarem a notícia calamitosa ao patriarca, a esposa parece que fora guardada todo esse tempo para destalingar esse último chicote. Sem o saber, pensando que a morte seria a melhor solução para o marido, Sitis empresta sua boca ao Tentador incitando Jó a se rebelar e amaldiçoar a Deus. O que você faz quando toda a esperança se esgota? Sitis em vez de confiar em Deus acima de todas as coisas; em vez de amar ao Senhor pelo que Ele é, deixou-se levar pelas circunstâncias atrozes, fundamentada em um relacionamento de troca com Deus. Para muitos a morte é a solução para uma vida de infortúnios e desajustes domésticos. Contudo, sempre há uma esperança para aqueles que confiam em Deus.
Jó olha para sua esposa, e a fita com ternura e carinho. Sitis sente o tempo congelar por alguns instantes. Embora o tabernáculo terrestre de Jó estivesse se desfazendo, seu edifício eterno estava preparado por Deus (2 Co 5.1). Os olhos de Jó traziam um brilho vivaz, contagiante, embora todo o restante dissesse o contrário. Lembrava muito o olhar de Jesus quando Pedro o negou. Carinhosamente afirma: “Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal?” (Jó 2.10). O sábio Jó afirmara que sua esposa, em seu desespero e dor, falava como uma pessoa sem entendimento; como alguém que ele não conhecia. Sitis fica desconcertada diante da afirmação do marido. Reflete a respeito do assunto. Lembra das muitas orações de Jó feitas em gratidão ao Senhor. E ali mesmo reconsidera... Cala-se e desaparece do cenário até o final do livro de Jó quando Deus restitui-lhe todas as coisas. Embora não seja mencionada no final do livro, não há razões para se duvidar de sua presença. Ela é a esposa incansável que esteve com o marido nos piores momentos e circunstâncias, mas que, em certo momento, perdeu as esperanças, mas a recobrou através da piedade e devoção de seu marido.
Semeia-se um hábito e colhe-se um caráter. Semeia-se um caráter e colhe-se um destino.
Caráter, sua dimensão etimológica
O termo "caráter" procede do grego "charaktēr" e significa literalmente "estampa", "impressão", "gravação", "sinal", "marca" ou "reprodução exata". O vocábulo português encontra-se na Almeida Revista e Atualizada (ARA), nos texto de Mt 10.41 e Fp 2.22. Porém não traduz o original "charaktēr", mas o grego "onoma" (nome) nas duas ocorrências mateanas e "dokimē" (qualidade de ser aprovado) em Filipenses. A tradução Almeida Revista e Corrigida (ARC) verte a palavra na perícope de Mateus por "qualidade de profeta" e "qualidade de justo". A Nova Versão Internacional (NVI), traduz por "porque ele é profeta", "porque ele é justo". Não há qualquer contradição nas traduções, uma vez que o substantivo "onoma" permite qualquer uma dessas versões. Em o Novo Testamento, "onoma" significa "pessoas" em Ap 3.4, "reputação" em Mc 6.14 e possivelmente "caráter" em Mat 6.9. O nome (onoma) no contexto hebreu corresponde "as qualidades de uma pessoa". Logo, a tradução de "onoma" refere-se à natureza ou categoria do trabalho realizado pelo discípulo de Cristo, e, não necessariamente ao "caráter", como virtude moral.
Já o vocábulo "dokimē", traduzido por "caráter" (ARA), "experiência" (ARC) e "aprovado" (NVI), possui o mesmo sentido de Rm 16.10, isto é, "testado e aprovado". O termo, nesse contexto, sanciona a qualidade moral e a experiência dos personagens envolvidos – Apeles e Timóteo foram testados e aprovados como bons obreiros de Cristo. Literalmente o termo significa "a qualidade de ser aprovado". Essa aprovação somente é ratificada depois que o "caráter" foi minuciosamente testado. A única ocorrência da palavra "charaktēr" em seu sentido verbal e imediato encontra-se em Hebreus 1.3. No exórdio epistolar, o literato afirma que nosso Senhor Jesus Cristo é "a expressa imagem" da pessoa de Deus. Ele é o "charaktēr" – a "estampa", a "gravação" ou "reprodução exata" – da "hypóstasis"("substância", "essência" ou "natureza") do próprio Deus.
Um outro termo grego usado para definir o substantivo “caráter” é “ēthos”. Porém, algumas explicações são necessárias. A ética filosófica costuma distinguir entre ēthos e ethos. A diferença está na vogal longa “ē” (ē – thos) que, infelizmente, não possui corresponde em língua portuguesa. Quando os gregos falavam em ethos, com vogal breve, referiam-se à “ética” (ethiké), em latim, mores, isto é, moral. O termo aludia aos costumes sociais que eram considerados valores necessários à conduta do cidadão na pólis (cidade).
Todavia, empregavam “ēthos” quando desejam descrever o caráter e o conjunto psicofisiológico de uma pessoa. Por extensão, “ēthos” se refere às características peculiares de cada pessoa. Esses traços individuais determinavam as virtudes e os vícios que um cidadão da pólis era capaz de levar a efeito. Essas peculiaridades são explicitamente resgistradas por Aristóteles em Ética a Nicômaco. O termo ethos diz respeito aos costumes sociais (At 6.14; 25.16), mas ēthos ao senso de moralidade e à consciência ética de cada pessoa (1 Co 15.33). Os costumes (ethos) designam os valores éticos ou morais da sociedade, enquanto ēthos às disposições do caráter diante de tais valores. Contudo, enquanto na filosofia aristotélica a virtude definia a relação do sujeito com a pólis, no Cristianismo, define, primeiramente, a relação do homem com Deus e, somente depois com os homens.
Daí as duas principais virtudes do Cristianismo serem a fé e o amor. Como observamos, o caráter é a "marca" pessoal de uma pessoa. O "sinal" que a distingue dos outros e pela qual o indivíduo define o seu estilo, a sua maneira de ser, de sentir e de reagir. Também pode ser definido como o conjunto das qualidades boas ou más de um indivíduo que determina-lhe a conduta em relação a Deus, a si mesmo e ao próximo. O caráter, por conseguinte, não apenas define quem o homem é, mas também descreve o estado moral do homem (Pv 11.17; 12.2; 14.14; 20.27).
Caráter, sua dimensão distintiva
O caráter é distinto do temperamento e da personalidade, embora esteja relacionado a eles. O temperamento refere-se ao estado de humor e às reações emocionais de uma pessoa – o modo de ser. A personalidade envolve a emoção, vontade e inteligência de uma pessoa – aquilo que o individuo é. O caráter, influenciado pelo temperamento e personalidade, é o conjunto das qualidades boas ou más de um indivíduo que determina-lhe a conduta – como a pessoa age. Observe, porém, que uma das características que compõe o ser humano é imutável, inata (temperamento), outra é o desenvolvimento geral dos traços personalógicos do sujeito em determinado momento (personalidade). O caráter, por sua vez, embora intrinsecamente relacionado ao desenvolvimento da personalidade, forma-se em paralelo a ela. Assim como o desenvolvimento físico de uma criança nos primeiros anos é paralelo ao desenvolvimento mental, o caráter é formado à medida que a personalidade vai sendo construída. Portanto, o caráter é a forma mais externa e visível da personalidade.
Segundo Aristóteles, a disposição moral (caráter) é adquirida ou formada no indivíduo pela prática. Afirma um antigo provérbio que ao “semear um hábito, o indivíduo colhe um caráter”. O caráter, segundo a sabedoria dos antigos, é o resultado de um hábito interiorizado, aprendido através do exercício contínuo das virtudes ou dos vícios. Não deve ser confundido com as paixões (ira, desejos, ódio), muito menos com as faculdades (razão, emoção e vontade), pois essas categorias são naturais, próprias do ser. Consequentemente, a experiência é o palco no qual o caráter age. De acordo com Schopenhauer essa é uma das razões pela qual o caráter é empírico, pois somente com a experiência é que se pode chegar ao seu conhecimento, não apenas no que é nos outros, mas tal qual é em nós mesmos. Afirma o filósofo alemão que “quem praticou determinado ato, tornará a praticá-lo assim que se apresentem circunstâncias idênticas, tanto no bem como no mal”.
Assim sendo, a personalidade determina a forma como o indivíduo se ajusta ao ambiente, mas o caráter o modo como a pessoa age e reage nesse contexto social. Já o temperamento, segundo a definição histórica dos helênicos, designa o “tempero sanguíneo” do organismo. Os sábios da Hélade sabiam muito bem que o temperamento é profundamente influenciado pela composição bioquímica do sangue, pela hereditariedade, constituição física e pelo sistema nervoso. Por ser biológico, hereditário e internalizado no indivíduo pode ser controlado, mas jamais mutável. O caráter, no entanto, é o “sinal psíquico” do indivíduo, que determina-lhe a conduta. Porém, é desenvolvido, educável e mutável. Mediante o temperamento, a personalidade e o caráter, o indivíduo afirma sua autonomia; passa a ter consciência de si mesmo como ser humano e também que tipo de pessoa é. Essa descoberta existencial é um processo contínuo.
Caráter, sua dimensão antropoteológica
Deus criou o homem em duas fases distintas. Na primeira o Eterno forma (hb. asah) a parte somática, corporal e visível do homem, a partir do “pó da terra” (Gn 2.7a). Esse primeiro estágio é chamado de criação mediata ou formativa. Na segunda fase Deus cria (hb. bara) o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1.26,27; 2.7b). Essa imagem entende-se por moral e natural. A natural diz respeito àquilo que o homem é: ser racional (intelecto), emocional e volitivo (vontade). A moral relaciona-se à constituição do caráter, da moral e da ética. Diz respeito à constituição moral do homem, suas disposições intrínsecas que inclui o caráter e a qualidade deste: justo e santo. Antes da Queda, o homem era perfeito em santidade, retidão e justiça. Essas qualidades não procediam do próprio homem, mas eram reflexos dos atributos morais e imanentes do Senhor. Os atributos morais de Deus se refletiam na constituição do sujeito (Ef 4.24; Lv 20.7; 1 Jo 2.29; 3.2,3). Porém, após a Queda, a natureza moral do homem foi corrompida pelo pecado (Rm 1.18-32; 3.23). Em lugar da justiça, o seu antagônico; em vez da santidade o seu oposto; em oposição à virtude o vezo (Gl 5.19-22). Somente a obra salvífica de nosso Senhor Jesus Cristo, mediante a ministração do Espírito Santo, é capaz de revestir o homem de uma nova natureza, criada segundo Deus, “em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.24; 1 Co 1.30).
É o Espírito Santo que transforma o pecador à semelhança da natureza e do caráter de Cristo (2 Co 3.18; 2 Pe 1.3-7). Portanto, para que você se torne o homem ou a mulher que Deus deseja é necessário que o seu temperamento, personalidade e caráter se tornem subservientes dos projetos de Deus para a tua vida. Até que Deus prevaleça sobre nossas vidas (2 Co 2.14), alguns precisam ser jogados numa cisterna, como José (Gn 37.20); outros, ser alimentado por corvos, como Elias (1 Rs 17.6); e, alguns, apresentar sua língua aos serafins, como fez Isaías (Is 6.6,7). O caminho que Deus escolhe para forjar o caráter de seus cooperadores algumas vezes é íngreme e inóspto. Mas, quando eles saem da fornalha, é perceptível até mesmo para os pagãos que eles andaram com o quarto Homem na fornalha (Dn 3.25-27). Deus jamais chamou alguém para uma grande missão sem que esse escolhido passasse por uma profunda transformação moral.
Se desejas que o Deus de José, Elias e Isaías realize em você o mesmo que fez com eles, coloque o seu caráter no altar do Espírito; apresente a sua personalidade Àquele que a todos transforma segundo a imagem de Cristo. Só assim serás a pessoa que Deus deseja que você seja.
Pr. Neco muda dirigentes de sete congregações em Alagoas
Líder já havia anunciado em janeiro que iria fazer mudanças de obreiros na cidade
Em reunião de Presbitérios de Maceió-AL, realizada na noite desta segunda-feira (14) no templo-sede, o pastor-presidente da Assembleia de Deus, José Antonio dos Santos (Pr. Neco), anunciou mais mudanças de pastores dirigentes na capital alagoana. O líder já havia anunciado em janeiro que iria fazer mudanças de obreiros na cidade.
Após o anúcnio o Ev. Edmilson Teixeira sai da congregação Grota do Cigano e vai para Benedito Bentes 1. O Ev. Alexandre Novais sai do Benedito Bentes 1 e assume a Avenida Rotary. O Ev. Hermann Trindade deixa Cruz da Almas e vai para o campo de Vergel do Lago. Ev. João Marcelo troca Frei Damião por Cruz das Almas. Pb. João Raimundo, auxiliar no Vergel do Lago, assume a igreja em Bom Retiro e o Ev. Adilson Junior sai de Bom Retiro e assume a AD de Frei Damião.
Pastor desafia ateus a provarem cientificamente que Deus não existe
Em respostas, Rubens Teixeira, falou sobre a importância do conhecimento da Bíblia e o criacionismo
Rubens Teixeira, pastor da Assembleia de Deus e doutor em economia no Brasil, responde mediante a respostas de ateus pela internet acerca de suas polêmicas perguntas “Você é ateu? Se você é ateu, então você me prove cientificamente que Deus não existe,” em entrevista postada em seu site ontem. Ele falou sobre a importância do conhecimento da Bíblia e o criacionismo.
Um vídeo publicado em resposta ao pastor, mostrou o depoimento de um ateu contra o pastor, argumentando que os ateus não veem motivo para acreditar em um Deus, e por isso não há motivo de provar que Deus não existe.
Rubens já havia afirmado na época que “nenhum deles conseguiram me provar até hoje.”
O Pastor foi criticado e acusado de usar falácias de “apelo à autoridade” ao dizer de suas formações acadêmicas. Em sua reposta, Rubens faz questão de mostrar sua carreira acadêmica e prêmios que tem recebido por suas pesquisas e estudos em sua área de formação, concordando “que a importância de quem fala é importante para o seu argumento.”
“Quando alguém está doente, ele pede explicação ao médico. Quando alguém tem um problema jurídico ela pergunta ao advogado,” argumentou ele.
Rubens condenou aqueles que criticam a Bíblia sem ter um conhecimento adequado de seu conteúdo.
“Alguém tentar falar sobre a Bíblia sem conhecê-la é uma espécie de loucura. É como você querer ensinar alguém a fazer cirurgia cardíaca se você nunca frequentou uma aula de um curso de medicina. Eu não consigo entender como uma pessoa ousa falar daquilo que ela não conhece,” disse.
Rubens sustentou que “Muitas coisas que a Bíblia dizia, a ciência descobriu depois. Muitas coisas na Bíblia a ciência não comprovou que existe, mas também não provou o contrário.”
Ele exemplificou que na Idade Média, quando se pensava que a Terra era plana, a Bíblia já mostrava o conceito de uma terra esférica no livro de Isaías 22, que diz “Deus se assenta sobre o globo da terra.”
“Na época a ciência entendia que era plana, contraditório com o que dizia a Bíblia. Todavia, depois descobriu-se que a Terra tinha a forma arredondada como tem.”
Rubens ressaltou a importância do respeito quanto ao conhecimento das Escrituras, relembrando a sua estada em outros países, em que ele ouviu pessoas de outras religiões fazendo citações da Bíblia como referência.
“Se essas pessoas que são de lá, e citam a referência bíblica como pode alguém que não tem noção do que está falando criticar a Bíblia. Fica difícil você querer conversar sobre a Bíblia e debater com quem não a conhece.”
Para responder a uma das críticas ateístas apresentadas, dizendo que a teologia não é ciência, ele defende, mencionando que há Universidades criacionistas no Brasil.
“O MEC reconhece que a teologia é uma ciência. Por isso tem esses níveis de graduação,” citando a Pontifícia Universidade Católica e o Mackenzie como exemplos.
Ele questionou a o ensino escolar baseado no evolucionismo, argumentando que, “Não há prova cabal de que o homem veio do macaco. Então eu acho que deveria abrir espaço para um debate do criacionismo.”
“O criacionismo é uma convicção que entende que Deus criou as coisas como elas são. Um animal não virou outro animal é lógico que a evolução aconteceu e acontece, mas não acredito é que um ser deu origem a outro. Eu acredito que Deus criou o homem da forma que ele é.”
“Eu nunca encontrei nada que contrariasse a Bíblia.”
Corte Suprema recusa pedido de ateu
Ativista queria retirar referência a Deus do dólar ´In God we trust` (Confiamos em Deus)
A Corte Suprema dos Estados Unidos recusou o pedido de um ativista ateu para que seja retirada das moedas e das cédulas do dólar a inscrição In God we trust (Confiamos em Deus). Como a Corte não colocou o assunto em apreciação, não há informação sobre a justificativa da recusa.
O advogado Michael Newdow, que é diretor da associação ateísta FACTS, entrou com um pedido de inconstitucionalidade com o argumento de que o Estado é laico e, além disso, a mensagem é discriminatória porque promove uma religião monoteísta.
A inscrição foi introduzida nas moedas nos anos 70 do século 19 e nas cédulas, nos 50 do século 20. Uma pesquisa feita pelo Instituto Gallup em 2003 revelou que 90% dos norte-americanos gostam da referência a Deus em seu dinheiro.
O advogado já tinha obtido uma sentença desfavorável em uma ação em que contestou o Juramento de Lealdade que faz menção a Deus e que é obrigatória em escolas de alguns Estados.
Newdow informou que vai encaminhar à Corte Suprema um pedido de reconsideração. Ele disse saber que o seu pedido tinha poucas chances de ser apreciado pela Corte, mas o seu objetivo, com a ação, foi manter na imprensa uma discussão sobre da laicidade do Estado, na expectativa de que um dia, quanto a isso, a Constituição venha a ser cumprida.
A inscrição já tinha sido submetida a um tribunal de instância inferior, o de San Francisco, que a considerou constitucional porque não advoga nenhuma religião. Para o tribunal, a frase “Confiamos em Deus” é “cerimonial e patriótica”.
Para Newdow, decisões como essa confirmam que os ateus são hoje o que os negros e homossexuais já foram nos Estados Unidos: vítimas de ferrenha discriminação.
Num futuro não muito distante, cerca de 30 anos após o término da guerra, um homem solitário cruza a paisagem devastada da América do Norte. Cidades abandonadas, viadutos destruídos, crateras no solo — ao seu redor, as marcas da destruição catastrófica. Não há civilização aqui, nem lei. As estradas pertencem a gangues que matariam um homem pelos seus sapatos, por um gole d’água… ou simplesmente por nada.
Mas eles nem se comparam a este andarilho.
Um guerreiro, não por opção, mas por necessidade, Eli (Denzel Washington) só quer viver em paz, porém, se desafiado, ele destroçará seus agressores antes que eles se deem conta de seu erro fatal. Não é sua própria vida que ele guarda tão ferozmente, e sim sua esperança de um futuro para a humanidade; uma esperança que ele nutre e protege há 30 anos e que está determinado a ver concretizada. Movido pelo seu compromisso e guiado pela crença em algo muito maior do que ele, Eli faz o que é preciso para sobreviver — e seguir adiante.
Somente um homem nesse mundo arruinado compreende a força que Eli possui e está determinado a se apoderar dela: Carnegie (Gary Oldman), o autoproclamado déspota de uma cidadela improvisada de ladrões e pistoleiros. Enquanto isso, a filha adotiva de Carnegie, Solara, (Mila Kunis) fica fascinada por Eli por outro motivo: ele lhe oferece a possibilidade de vislumbrar o que pode existir além dos domínios do padrasto dela.
Entretanto, não será fácil para nenhum dos dois detê-lo. Nada nem ninguém pode se intrometer em seu caminho. Eli precisa seguir adiante para cumprir com o seu destino e prestar ajuda a uma humanidade devastada.
“Um dia, eu ouvi uma voz, como se viesse de dentro de mim.
Ela me guiou até um local… Eu achei este livro, enterrado sob os escombros…
E a voz me mandou levá-lo para o oeste.”
“O que nos agradou na história foi o fato de ser uma aventura de ação, mas que também tinha algo a dizer acerca de compromisso, sacrifício, sobrevivência e da natureza humana”, explica Allen Hughes, que, juntamente com seu irmão gêmeo, Albert, dirige 'O Livro de Eli'. É o quinto longa-metragem da dupla, que fez sua auspiciosa estreia, aos 20 anos, com o poderoso e aclamado drama sobre a violência urbana, Perigo Para a Sociedade (Menace II Society).
Segundo Albert Hughes: “'O Livro de Eli' nos leva a um futuro dizimado — seja pela guerra, por catástrofes nucleares ou naturais, ou por uma combinação de eventos, não importa. A devastação é de tamanha proporção que nos leva a especular acerca de como o mundo seria e como as pessoas viveriam se toda a civilização desaparecesse da face da terra e o homem fosse obrigado a viver como em eras primitivas. Seria um mundo sem lei. Entretanto, com o tempo, alguns bravos indivíduos resgatariam o sentido de propósito e assumiriam o papel de líderes.”
Eli é um desses poucos, pois numa época em que as pessoas ou caçam ou são caçadas, ele ousa ser um homem livre, comprometido unicamente com a crença no que ele faz e na sua determinação de chegar ao seu objetivo. Mas o preço que ele paga por seguir a sua consciência é duro. Sem descanso, sem casa… quase todos os dias trazem novos perigos e outra batalha contras as forças o que arrastariam – assim como o pouco que resta à sociedade – para um abismo ainda mais profundo.
Denzel Washington ficou tão impressionado com a história que, quando foi sondado inicialmente para o papel-título, ele também acabou assinando como produtor. “Trata-se de uma jornada inacreditável”, ele reconhece. “Eli é um homem numa missão de grande importância, há muito tempo. Quando o conhecemos, ele já está quase no final, mas ainda terá pela frente as suas maiores provações.”
Exatamente quem é Eli — de onde ele vem e para onde vai — permanece, por boa parte do tempo, e propositalmente, um mistério. Segundo Allen Hughes, “um personagem como Eli, o enigmático guerreiro solitário é quase mítico. Sabemos que há por trás dele uma história rica, mas que não é inteiramente revelada, e Denzel procurou, intencionalmente, fazer pequenas coisas que lançassem um pouco de luz sobre o seu passado sem revelar demais. Uma das ideias foi dar a Eli uma cicatriz de queimadura nas costas, como uma marca do apocalipse ao qual ele sobreviveu. Ele era ótimo em criar esse tipo de detalhe que contribuía para tornar Eli ainda mais misterioso.”
“Denzel mergulhou realmente fundo no filme, levando-o muito além da descarga de adrenalina das cenas de ação”, observa o produtor Broderick Johnson. “O desempenho dele faz com que você queira caminhar com ele e se emocione com a jornada de Eli e os obstáculos que ele encontra no caminho.”
“Um dos temas do filme”, acrescenta o sócio de longa data de Johnson, o produtor Andrew A. Kosove, “é sobre acreditar que você pode fazer algo que deve ser feito e ir até o final. Eli tem um caminho duro, literalmente, mas acredita que chegará ao seu destino. A sua fé o leva a seguir adiante.”
Entretanto, se as convicções de Eli mantêm seu foco, é a sua sagacidade e reflexos rápidos que o mantêm vivo.
O produtor Joel Silver, o motor por trás de alguns dos filmes de ação mais memoráveis de Hollywood, comenta acerca da dupla natureza do personagem. “Ele tem uma missão a cumprir. Se as pessoas procurarem desviá-lo ou impedi-lo de chegar ao seu objetivo por qualquer razão, ele, simplesmente, fará o que for necessário para passar por elas e seguir adiante. Eu acho que ficamos inclinados a perdoar todos os seus atos porque, no fundo, ele é um homem íntegro e pacífico, e sua missão é a coisa mais importante do mundo para ele.”
“Em parte, o que torna Eli heróico é seu foco no futuro. Ele está sempre caminhando em frente”, comenta o produtor David Valdes. “Eu sou o maior cinéfilo do mundo. Eu adoro o duelo clássico entre o bem e o mal e, sobretudo, ver um herói que acredita no futuro tanto quanto o Eli acredita. É uma lição de esperança.”
Um dos obstáculos mais terríveis de Eli é um sujeito chamado Carnegie. Assim como Eli, ele é um dos poucos e raros sobreviventes “de outros tempos” e carrega o peso de se lembrar de como o mundo era. “Há uma fala no filme, em que Eli explica: ‘Hoje, as pessoas se matam por coisas que nós costumávamos jogar fora’, e ele se refere a coisas básicas como sabonete e fósforos, que se tornaram produtos raros e valiosos”, revela Albert Hughes.
Ao contrário de Eli, Carnegie passou os últimos 30 anos da sua vida acumulando um império tosco em meio às ruínas de uma cidade abandonada e seu gosto pelo poder só fez crescer. Ele está acostumado a ter o que quer, e o que ele quer agora é um livro que Eli leva em sua mochila — uma Bíblia, tida como o último exemplar que existe no mundo.
“Há uma troca dinâmica entre esses dois homens totalmente opostos. Eles querem a mesma coisa, mas por motivos completamente diferentes, e ambos estão igualmente determinados a jamais desistir”, afirma Silver.
Como cineasta, Washington contribuiu significativamente para o desenvolvimento do rival de Eli. “Denzel começou a delinear o personagem de Carnegie, ainda na fase de pré-produção, dizendo, ‘O bom sujeito será tão bom, quanto o mau, for mau”, relembra Allen Hughes. “Nós discutimos se Carnegie era um verdadeiro vilão ou apenas um homem vivendo em tempos desesperados que faz maldades para cumprir um objetivo. Com ele, nada é preto ou branco, e sim, cinza. Os resquícios da sua humanidade só o tornam ainda mais imprevisível.”
Washington e os irmãos Hughes concordaram que o ator para interpretar Carnegie teria de ser um contraponto extraordinário para Eli e sua escolha recaiu sobre Gary Oldman. Segundo Washington: “Como ator, Gary é um campeão e eu queria ‘boxear’ com o melhor.”
Albert Hughes também cita o senso de humor ferino de Oldman: “Ele e Denzel introduziram leveza em alguns dos momentos mais tensos do filme. É uma história séria, mas definitivamente não é morna, sobretudo quando esses dois se enfrentam.”
“Eu sempre adorei as batalhas clássicas”, afirma Johnson. “E quando Denzel Washington enfrenta um adversário na tela, eu sei que será um filme do qual vou gostar.”
“Carnegie é, basicamente, um ditador”, define Oldman. “Ele construiu uma cidade através da violência e do controle de um bem incrivelmente precioso — água potável — porque ele se lembra de onde encontrá-la. Mas ele também é inteligente e tem uma filosofia. Carnegie conhece o livro que Eli leva carrega e sabe do que ele é capaz de fazer porque ele é parte da sua própria história e infância. Ele tem estado à sua procura há muitos anos. Os dois homens compartilham uma mesma obsessão com relação ao livro, embora um tenha motivações pra o bem e o outro, para o mal.”
Uma questão essencial levantada pelo enredo é o que contribui à construção de uma civilização. Embora Eli acredite que a Bíblia servirá como base para uma nova sociedade com justiça e igualdade, uma chance de se recomeçar e evitar os erros do passado, Carnegie encara o livro sagrado como um meio de controlar as pessoas e estender seu domínio. Os dois podem concordar no poder inerente das palavras entre a encadernação desta brochura, mas possuem visões diametralmente opostas de com o poder deve ser usado.
Carnegie não terá pudor em eliminar Eli, entretanto, ao mesmo tempo, é inevitável que se sinta intrigado por este homem extraordinário que ousa enfrentá-lo, ao contrário dos brutamontes analfabetos que trabalham para ele ou das almas perdidas que vagam pela paisagem árida. É como se ele tivesse encontrado, afinal, um rival à sua altura e, por isso, ele se dá ao direito de saborear o momento. “Eli tem uma presença poderosa. Ele é firme, obstinado e contido”, acrescenta Oldman. “Carnegie nunca conheceu ninguém como ele.”
“Eli não se renderá e Carnegie não aceitará uma resposta negativa”, conta Washington, “Carnegie o desafia em todos os níveis. Torna-se um grande teste de forças.”
“Denzel realmente se superou neste filme”, afirma Allen Hughes. “Ele tinha muitas cenas fisicamente desafiadoras e nós não usamos truques de edição para fazer com que ele ficasse bem na fita. Ele fazia, ele mesmo, a cena do início ao fim, e se saiu muito bem. Foi fantástico.”
Sob a orientação do instrutor e praticante de artes marciais, Dan Inosanto, ex-pupilo de Bruce Lee, Imada submeteu Washington ao que ele chamou de “imersão total”. Para Washington, foi uma grande oportunidade. “Eu tive a sorte de trabalhar com gênios como Jeff e com Danny, um dos maiores mestres das artes marciais. Foi um desafio muito divertido treinar com eles no dojo e eu tenho o maior respeito pelo que eles fazem. Juntos, nós criamos um estilo de luta para o Eli que é uma combinação das habilidades que ele teria desenvolvido, a duras penas, ao longo do caminho.”
“Denzel também aprendeu a manusear a espada como se fosse uma extensão do próprio braço”, conta Albert Hughes. A arma favorita de Eli seria, originalmente, uma espada de Samurai, mas Washington e os irmãos Hughes optaram por uma lâmina menor, um tipo de facão híbrido, algo menos formal e mais adequado à realidade de um andarilho solitário, algo que ele poderia esconder mais facilmente na sua mochila e sacar rapidamente quando fosse necessário.
“Acho que há elementos instintivos da natureza humana com os quais qualquer um pode se identificar. A nossa esperança é que os espectadores sintam uma ligação emocional com esses personagens e saiam dos cinemas com uma sensação que perdure”, afirma Albert Hughes.
“O que nós gostaríamos de passar ao público espectador de 'O Livro de Eli'”, acrescenta Allen, “é um apreço pela vida e o quanto ela é preciosa. A história aborda os temas universais da fé, do compromisso, sacrifício e, em última análise, esperança. Esses foram os elementos que nos atraíram, originalmente, e nós procuramos lhes fazer justiça.”